Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O TEA é caracterizado por déficits e dificuldades na comunicação e interação social, associados a interesses e atividades restritas e circunscritas.

O TEA é causado pela combinação de fatores genéticos e fatores ambientais. Os fatores de risco genéticos para TEA se sobrepõem a outros diversos transtornos do desenvolvimento e psiquiátricos. Segundo o Center for Diseases Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos (EUA), a prevalência atual do TEA nos EUA é de 1:36 casos em crianças com até 8 anos de idade. No Brasil não temos dados exatos referentes à prevalência do TEA

Deve-se identificar se há fatores de risco como a idade avançada dos genitores no momento da concepção (especialmente a idade do pai), hipertensão materna durante a gestação, pré-eclâmpsia, sobrepeso materno antes ou durante a gestação, uso de medicações durante a gestação (especialmente ácido valpróico), exposição elevada intraútero a álcool, infecções congênitas (como rubéola e citomegalovírus), prematuridade, gestações múltiplas, baixo peso ao nascer e hipóxia neonatal. Vale lembrar que há dados robustos para afirmarmos que não há associação entre vacinas e o risco de TEA.

Além disso, é importante avaliar os fatores de risco genéticos, com histórico familiar de transtornos do neurodesenvolvimento, especialmente de diagnóstico de TEA em progenitores e irmãos. Sabe-se que o TEA tem uma possibilidade de herança estimada variando de 50% a 90% e que a recorrência do diagnóstico em irmãos de crianças diagnosticadas gira entre 6,1% e 18,7%. É interessante pontuar que a recorrência em irmãos do sexo masculino é mais alta quando comparada à recorrência nas irmãs. Um estudo observacional envolvendo irmãos de 39.460 crianças com TEA evidenciou recorrência de 14% entre os meninos e de 5% entre as meninas.

Os sintomas do TEA só são consistentemente identificados entre os 12 e 24 meses de idade. Alguns marcadores potencialmente importantes no primeiro ano de vida incluem anormalidades no controle motor, atraso no desenvolvimento motor, sensibilidade diminuída a recompensas sociais, baixo contato visual, pouca resposta ao chamado pelo nome. A partir de 12 meses os sintomas das dificuldades de comunicação social, o atraso na aquisição da fala (que não é obrigatório, mas é bastante frequente), o uso repetitivo de objetos, alterações sensoriais e comportamentos motores atípicos além de regressão em alguma habilidade que já havia sido adquirida.

O lactente pode demonstrar sinais de autismo desde os primeiros meses de vida. O atraso para adquirir o sorriso social, demonstrar interesse em objetos sorrindo para eles e movimentando o corpinho, a desinteresse ou pouco interesse pela face humana, o olhar não sustentado ou ausente, a preferência por dormir sozinho no berço e demonstrar irritabilidade quando ninado no colo, a ausência da ansiedade de separação e indiferença quando os pais se ausentam podem ser sinais precoces que indicam que o desenvolvimento precisa ser avaliado e que há a necessidade de estimulação precoce focada na socialização, linguagem e afeto dessa criança.

Após os 18 meses, os traços de autismo tornam-se mais evidentes. O atraso de linguagem verbal ou não-verbal, contato social e o interesse no outro deficitário, interesses repetitivos proeminentes e estereotipias. A Academia Americana de Pediatria recomenda que toda a criança seja submetida a uma triagem para o TEA entre 18 e 24 meses de idade, que pode ser feito pela aplicação do M-CHART, mesmo naquelas que não estão sob suspeita diagnóstica de TEA ou outros transtornos, desvios e atrasos do desenvolvimento. O teste pode ser repetido em intervalos regulares de tempo ou quando houver dúvida.

 

M-CHART-RTM

Por favor, responda estas perguntas sobre sua criança. Lembre-se de como sua criança se comporta habitualmente. Se você observou o comportamento algumas vezes (por exemplo, uma ou duas vezes), mas sua criança não o faz habitualmente, então por favor responda “Não”. Por favor, responda Sim ou Não para cada questão. Muito obrigado.

  1. Se você apontar para qualquer coisa do outro lado do cômodo, sua criança olha para o que você está apontando? (Por exemplo: se você apontar para um brinquedo ou um animal, sua criança olha para o brinquedo ou animal?)
  2. Alguma vez você já se perguntou se sua criança poderia ser surda?
  3. Sua criança brinca de faz-de-conta? (Por exemplo, finge que está bebendo em um copo vazio ou falando ao telefone, ou finge que dá comida a uma boneca ou a um bicho de pelúcia?)
  4. Sua criança gosta de subir nas coisas? (Por exemplo: móveis, brinquedos de parque ou escadas)
  5. Sua criança faz movimentos incomuns com os dedos perto dos olhos? (Por exemplo, abana os dedos perto dos olhos?)
  6. Sua criança aponta com o dedo para pedir algo ou para conseguir ajuda? (Por exemplo, aponta para um alimento ou brinquedo que está fora do seu alcance?)
  7. Sua criança aponta com o dedo para lhe mostrar algo interessante? (Por exemplo, aponta para um avião no céu um caminhão grande na estrada?)
  8. Sua criança interessa-se por outras crianças? (Por exemplo, sua criança observa outras crianças, sorri para elas ou aproxima-se delas?
  9. Sua criança mostra-lhe coisas, trazendo-as ou segurando-as para que você as veja – não para obter ajuda, mas apenas para compartilhar com você? (Por exemplo, mostra uma flor, um bicho de pelúcia ou um caminhão de brinquedo?)
  10. Sua criança responde quando você a chama pelo nome? (Por exemplo, olha, fala ou balbucia ou para o que está fazendo, quando você o chama pelo nome?)
  11. Quando você sorri para sua criança, ela sorri de volta para você?
  12. Sua criança fica incomodada com os ruídos do dia a dia? (Por exemplo, sua criança grita ou chora com barulhos como o do aspirador ou de música alta?)
  13. Sua criança já anda?
  14. Sua criança olha você nos olhos quando você fala com ela, brinca com ela ou veste-a?
  15. Sua criança tenta imitar aquilo que você faz? (Por exemplo, dá tchau, bate palmas ou faz sons engraçados quando você os faz?)
  16. Se você virar a sua cabeça para olhar para alguma coisa, sua criança olha em volta para ver o que é que você está olhando?
  17. Sua criança busca que você preste atenção nela? (Por exemplo, sua criança olha para você para receber um elogio ou lhe diz “olha” ou “olha para mim”?)
  18. Sua criança compreende quando você lhe diz para fazer alguma coisa? (Por exemplo, se você não apontar, ela consegue compreender “ponha o livro na cadeira” ou “traga o cobertor”?)
  19. Quando alguma coisa nova acontece, sua criança olha para o seu rosto para ver sua reação? (Por exemplo, se ela ouve um barulho estranho ou engraçado, ou vê um brinquedo novo, ela olha para o seu rosto?)
  20. Sua criança gosta de atividades com movimento? (Por exemplo, ser balançada ou pular nos seus joelhos?)

 

As 20 questões devem ser respondidas pelos pais ou cuidadores da criança. Em seguida o avaliador realiza a pontuação da escala, considerando que para todos os itens, exceto os itens 2, 5, e 12, a resposta “NÃO” indica risco de TEA; para os itens 2, 5, e 12, a resposta “SIM” indica risco de TEA.

 

Com base nesta pontuação considera-se o seguinte algoritmo de risco:

BAIXO RISCO

Pontuação total é de 0-2; se a criança tiver menos de 24 meses, repetir o M- -CHAT-R aos 24 meses. Não é necessária qualquer outra medida, a não ser que a vigilância indique risco de TEA.

RISCO MODERADO

Pontuação total é 3-7; administrar a Entrevista de Seguimento (segunda etapa do M-CHAT-R/F) para obter informação adicional sobre as respostas de risco. – Se a pontuação do M-CHAT-R/F continuar a ser igual ou superior a 2, a criança pontua positivo na triagem. Medidas necessárias: encaminhar a criança para avaliação diagnóstica e para avaliação da necessidade de intervenção. – Se a pontuação da Entrevista de Seguimento for 0-1, a criança pontua negativo. Nenhuma outra medida é necessária, a não ser que a vigilância indique risco de TEA. A criança deverá fazer a triagem novamente em futuras consultas de rotina.

ALTO RISCO:

Pontuação total é de 8-20; pode-se prescindir da Entrevista de Seguimento e encaminhar a criança para avaliação diagnóstica e também para avaliação da necessidade de intervenção.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

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