O que você precisa saber para evitar cólicas em você e no seu bebê?
Um bebê com cólicas começará a chorar como se estivesse com dor — ficando com o rosto vermelho, fazendo caretas, cerrando os punhos, flexionando as pernas, arqueando as costas, chutando as pernas, cuspindo e soltando gases. Às vezes, as mamadas interrompem temporariamente os gritos, apenas para recomeçar quando o mamilo é retirado ou empurrado para longe.
A cólica infantil ocorre em 20% dos bebês. Geralmente se inicia na 2 ou 3 semana de vida com o pico na 6 e resolução na 12 semana de vida em 60% dos casos e 90% se resolvem com 16 semanas de vida. Choro inconsolável, irritabilidade e gritos sem causa óbvia caracterizam a cólica; durante esses episódios de agitação, que ocorrem com mais frequência à noite, o bebê afetado classicamente fica com o rosto vermelho, contrai as pernas e tensiona o abdômen. Os métodos tradicionais de acalmar a criança muitas vezes não conseguem aliviar a angústia da criança. Descrito pela primeira vez em 1954, o critério diagnóstico original da “Regra dos 3s de Wessel” (sintomas que duram 3 horas por dia, 3 ou mais dias por semana, durante 3 ou mais semanas, começando por volta das 3 semanas de idade), passou por uma transição em anos recentes. Os critérios de Roma IV descrevem cólicas em bebês desde o nascimento até os 5 meses de idade. Os critérios são os seguintes:
- criança abaixo de 5 meses de idade quando os sintomas começam e param;
- períodos recorrentes e prolongados de choro, agitação ou irritabilidade do bebê relatados pelos cuidadores que ocorrem sem causa óbvia e não podem ser previstos ou resolvidos pelos cuidadores;
- sem evidência de atraso no crescimento do bebê, febre ou doença.
Embora benigna e autolimitada, a condição é frustrante para os pais e tem sido associada à depressão materna pós-parto e à síndrome do bebê sacudido. NUNCA SACUDA SEU BEBÊ!
Em mais de 90% dos bebês com cólica, o tratamento não se concentra em “curar” a cólica, mas sim em dar suporte à família durante esse período estressante no desenvolvimento do bebê. O tratamento mais eficaz é tempo e paciência. Os pais e outros membros da família devem se revezar nos cuidados com o bebê. Massagem abdominal abaixo do umbigo, balanço, música suave e ruído branco podem ajudar a aliviar o dia de um bebê com cólica.
Dicas para as Gestantes
Controle de gases intestinais:
- Comer devagar
- Mastigar bem os alimentos
- Não falar muito durante as refeições
- Não ficar em jejum por tempo prolongado, de preferência alimentar-se a cada 3 horas
- Não mascar chiclete e/ou ficar próximo de fumantes
- Evitar alimentos que possam aumentar a produção de gases, por exemplo: feijão, ervilha, cebola, lentilha, grão-de-bico, repolho, brócolis, couve-flor, couve, batata-doce, pimentão, pepino, doces e frituras. Esses alimentos poderão aumentar a produção de gases, mas agem de forma diferente de uma pessoa para outra, por isso deverão ser testados para verificar a ação de cada um.
Para o controle do odor das fezes devem ser evitados os seguintes alimentos:
- Alimentos que possuem odor desagradável: peixe, carne em conservas muito temperadas, cebola crua, alho cru, couve-flor e ovo cozido. Poderão ter ações diferentes para cada pessoa, por isso deverão ser testados um de cada vez.
- Alimentos que reduzem o cheiro desagradável: maçã, pêssego, pêra, coalhada, iogurte, chá de hortelã.
Como Diferenciar o choro por cólica do choro de fome
O bebê chora por diversas razões: fome, frio, sono, calor, dor, incômodos por fralda molhada ou apertada ou até porque quer aconchego e carinho. Com o tempo, a mãe vai aprendendo a identificar o motivo de choro do seu bebê. No entanto, a criança que chora por fome se acalma assim que mama. Isso não acontece quando o choro é por cólica.
Como Evitar Cólicas
Tente manter a calma e lembre-se que as cólicas acontecem em um bebê saudável e que vão passar em poucos meses. A ansiedade da mãe não ajuda a acabar com a cólica, mas algumas ações podem amenizar a dor:
- Ambiente tranquilo e uma música suave ajudam a relaxar mãe e filho;
- Banho morno também ajuda a descontrair;
- Movimentos nas pernas do bebê, como “pedalar no ar” podem auxiliar a eliminar o excesso de gases;
- Massagem na barriguinha do bebê abaixo do umbigo;
- Compressas mornas na barriguinha com toalhas felpudas passadas a ferro têm efeito analgésico (teste antes o calor da toalha em sua própria face). Cuidado para não queimar o bebê!
- Pegar o bebê no colo (pode ser tentado o contato direto da barriga do bebê com a barriga da mãe); ou apoiado de bruços na extensão do antebraço dos pais;
- Enrolar o bebê em uma manta ou cobertor;
- Flexionar as coxas do bebê sobre a barriga;
- Reduzir estímulos para o bebê (evitar locais com muito barulho ou excesso de pessoas);
- Estabelecer uma rotina para banho, sono, passeio e tummy time;
- Não utilizar chás, trocar marcas de fórmula leite ou usar medicamentos sem a orientação do pediatra;
- Nunca interromper a amamentação exclusiva. Sempre pedir orientação ao pediatra;
Porém, o mais importante é ter paciência para acalmar o bebê.
A alimentação materna como possível causa da cólica ainda é controversa. A cólica pode ocorrer tanto em bebês amamentados no seio quanto naqueles amamentados com leite de vaca (fórmulas). Entretanto, existe a possibilidade de alguns alimentos (leite de vaca, soja, trigo, nozes) passarem para o leite materno e provocar cólicas. No entanto, esses alimentos só devem ser retirados da dieta da mamãe caso as cólicas estiverem associadas com outros sintomas gastrintestinais que indiquem alergia alimentar, como a presença de raias de sangue nas fezes do bebê.
Ao primeiro sinal de sangue nas fezes do bebê, seu pediatra deve ser consultado imediatamente.
E lembre-se, o ideal é prolongar ao máximo o aleitamento materno.
Medicações devem ser discutidas com o pediatra.
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria
Banks JB, Rouster AS, Chee J. 2022 Aug 1. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan–. PMID: 30085504


